Esperancense vence a Covid-19 após perder a esposa para a doença

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Para comemorar a chegada do seu Tião, família produziu até camisa

Morador de Boa Esperança, o seu Sebastião Alves Pinto, 61 anos, passou por apuros em 33 dias de internação, após ser diagnosticado com Covid-19. Curado da doença, seu Tião, como é mais conhecido, teve alta na semana passada. Já a sua esposa, Maria Angélica de Souza Alves, não resistiu a violência provocada pelo novo coronavírus e faleceu nove dias após a internação. “Essa doença tem afastado o convívio entre as pessoas, a família e nos levou a nossa mãe. Os dois se cuidaram tanto, nem isso foi suficiente”, desabafa uma das filhas, Paloma Angélica de Souza Alves Ferreira.

O casal foi internado no mesmo dia em Boa Esperança. De lá, foram transferidos. Dona Maria Angélica era quem estava mostrando melhor saúde nesse tempo. Portadora de hipertensão, o tratamento da aposentada seguia, enquanto o do seu Tião, que além de hipertenso é diabético, estava com a doença mais avançada, tendo que permanecer no oxigênio. Nesse momento, o casal já estava sendo tratado em São Mateus, separados. Ela no Meriodional e ele no Hospital Dr. Roberto Arnizaut Silvares. “Mas ela teve uma piora e antes do procedimento, nos ligaram avisando que nossa mãe seria entubada. Nesse momento tivemos uma mistura de sensações, pois não sabíamos direito os procedimentos dessa doença, e a evolução nos quadros clínicos são repentinos. Ficamos muito tristes, ainda mais por não podermos acompanhar, estar perto deles. Para nosso desespero, a nossa mãe teve uma parada cardiorrespiratória e no mesmo dia, faleceu”, conta.

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Já sabendo da perda da esposa, daí em diante, o seu Tião precisou prosseguir a luta pela vida sozinho. E foi assim, com muita vontade de viver, depois de também ter ficado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), entubado e uma parada cardíaca, que para a alegria da família, ele teve alta na última semana. “Quando testamos positivo foi um momento já muito difícil, pois sabíamos que estávamos dentro do grupo de risco, achei que não escaparíamos. Eu ter voltado para casa foi um milagre, nasci de novo”, explica seu Tião.

Com 42 anos de casados, cinco filhas, nove netos e uma bisneta, o casal vinha cumprindo todos os protocolos de prevenção estabelecido. De acordo com a Paloma, os dois permaneceram desde o início da pandemia em casa, e até as comprar e serviços externos, era uma das filhas que fazia para eles. “A compra era deixada na porta da casa deles, eles higienizavam tudo. Nós deixamos de visitá-los a pedido do meu pai, só conviviam os dois. Fizemos tudo como ele pediu, obedecemos, mas mesmo assim eles pegaram o coronavírus. Nossa mãe não pode ter nem o velório direito, choramos muito ao sepultá-la”, diz.

A entrevista do seu Tião foi realizada por telefone, com as cinco filhas perto do agricultor perto, e dando um grande apoio e carinho ao pai. “Estamos aqui com ele, nosso milagre é o nosso pai. Minha mãe foi para a Glória do Senhor, era uma mulher evangélica, crente em Deus, e isso nos conforta. Ficaram os ensinamentos dela”, finaliza Paloma.

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